Por que, para a democracia mundial, as eleições brasileiras de 2018 podem ser como um dos principais acontecimentos políticos desta década, ou talvez século.

Há quatro anos e meio, no início deste projeto, publiquei este artigo com previsões sobre a situação socioeconômica brasileira e possíveis mudanças e desafios em curso, meio ano após as manifestações de 2013 que desencadearam um novo momento político para o Brasil. O artigo explica a história do Brasil – e do mundo – por meio das lentes da teoria do dilema do inovador, de Clayton M. Cristensen, prevendo que o Brasil passaria por vários tumultos políticos, que levariam a uma grande atualização de sistema, como uma nova constituição. O artigo também lembra que o Brasil tem uma importância esquecida na história da globalização porque foi a recompensa pelas inovações portuguesas de seus empreendimentos tecnológicos quando se tornou o primeiro estado-nação na Europa em 1297 e foi pioneiro nas grandes navegações que abriram pela primeira vez com uma rota para a Índia, mas também, patrocinou a expedição que o italiano Americus Vespucci passou a descobrir o Novo Mundo. Evento que encerrou a idade média e começou a globalização.

O Dilema do Inovador explica por que, por exemplo, no início do século XX, a Ford criou a produção em série de automóveis, mas não manteve a liderança e a perdeu para a Chevrolet. As empresas de máquinas de escrever não foram as protagonistas da tecnologia sucessora, o computador pessoal. Assim como o computador pessoal, que nasceu da Apple, não foi popularizado pela Apple, mas por um modelo de negócios elaborado pela Microsoft com o sistema Windows. Isso não a levou a atual revolução da computação móvel, realizada pela Apple com o iPhone, mas que não manteve a liderança novamente, porque o sistema operacional móvel mais usado atualmente é o Google Android e não o iOS que ela criou. Isto significa que por ter sido o pioneiro em grandes adventos num passado distante, o Brasil pode vir a ser pioneiro novamente no futuro.  

Hoje, o Brasil está a exatamente 7 semanas, ou 49 dias, de renovar plenamente seus poderes executivo e legislativo nos níveis federal e estadual, e isso terá um impacto tremendo na política regional da América do Sul e no equilíbrio político leste / oeste entre os Estados Unidos e China.

E o principal candidato com 30% das intenções de voto, Lula da Silva, propôs convocar uma nova assembléia constituinte e redigir uma nova constituição, como o artigo de 2014 apontou: uma grande atualização está para acontecer. Outro candidato, Guilherme Boulos, propôs a criação de um sistema de democracia digital direta, colocando as pessoas para decidir.

E para honrar essa batalha política decisiva que acontecerá em 7 de outubro de 2018, que basicamente contribuirá para decidir o futuro do mundo, iniciaremos uma série de artigos e vídeos para debater e analisar como estão indo essas eleições e como cada jogador está jogando, incluindo políticos, mídia, empresas e instituições do Brasil e do mundo. Mas também, para ter uma visão completa de como os jogos e o raciocínio têm sido, e ainda são, moldar a história com o poder dos símbolos desde, talvez, sempre.

 

 

É por isso que vai ser intitulado Ludocracia: a gamificação em massa da política; colocando em perspectiva a história do entretenimento em massa e política e como o Brasil coloca um caso de estudo curioso que pode nos dar previsões e soluções para a democracia em larga escala no mundo para nações pobres / emergentes que configuram 80% da população do mundo. E dê uma prévia do clima político de 2020 nos EUA, antecipando riscos e protegendo uma economia de 21 trilhões de dólares que representa quase um quarto do PIB mundial.

Enquanto isso, o Instituto #AJOGADA procederá com a publicação da segunda edição do livro A Jogada – Sabedoria dos Jogos para a Nova Geração de Gestores – onde cerca de 40% das 400 páginas são dedicadas a explicar o mundo de hoje a partir da ótica de jogo, além de propor soluções e estratégias para pequenos e grandes investidores sobre o contexto micro e macro do Brasil e do mundo. Assine a newsletter aqui.

Em 2014, as eleições tiveram 78% de eleitores ativos, quando 115 milhões de brasileiros foram votar nas primeiras eleições em massa decididas pela Internet (em eleições anteriores, as mídias sociais não era tão tinham a mesma penetração e rapidez ou tinha tanto em jogo) e a primeira a introduzir no Brasil as artimanhas da nova maneira de fazer política na era das mídia sociais: com notícias falsas segmentadas por Big Data. A primeiro em que os bots foram muito usados e a primeira, onde os aplicativos de mensagenscomo o Whatsapp foram usados para espalhar rumores nas últimas 24 horas da corrida. Além disso, o avião de um candidato presidencial caiu com 7 pessoas em um acidente suspeito de ter sido armado. Sua vice-presidente (com mais chances) assumiu sua campanha deixando um partido que ela acabara de fundar para disputar estas eleições.

Estes são alguns fatos de uma lista de competitividade insana radical, e inédita, nas corridas presidenciais brasileiras que vem de autoridades e instituições.

Mas não termina aí. Antes de chegar à metade de seu mandato a candidatura vencedora sofreu um processo de impeachment e seu vice implementou o programa do candidato e partido perdedor que assumiu a pasta de relações exteriores mudando em 180º 13 anos de política externa performadas até aí, até que em maio de 2018, outro evento ainda inédito aconteceu aos brasileiros: uma greve de caminhoneiros chamada de “crise do diesel” quando, por 10 dias, centenas de estradas foram bloqueadas e 210 milhões de pessoas ficaram em escassez de alimentos, remédios e gás, Gasolina e Diesel, e a 8ª maior economia do mundo a se parecer com um filme de apocalipse zumbi, como disse um correspondente internacional em São Paulo. O que Brian Winter, diretor do America’s Quarterly presenciou, foi, como morre um Estado-Nação.

Hoje, o principal candidato, Lula da Silva, está na prisão e, por acaso, é o candidato vencedor das eleições de 2002. E tem 11 oponentes, de 11 partidos diferentes, representando um espectro político mais amplo do que qualquer outra democracia em larga escala no mundo de hoje. Da extrema direita à extrema esquerda, a eleição deste ano trará para o dia 7 de outubro 12 opções de candidatos que darão aos eleitores brasileiros um cardápio de opções que deixariam outras democracias com inveja.

Diferentemente dos EUA, o Brasil é um sistema democrático multipartidário com 38 partidos ativos, sendo mais parecido com o modelo francês do que com o estadunidense. E a direita e a esquerda normais nos EUA caberiam entre a direita e a extrema direita brasileiras. Portando, o espectro político brasileiro é mais amplo e centralizado que o de qualquer outra grande democracia no mundo hoje. E os dois mais votados concorrerão a uma segunda rodada em 28 de outubro.

E os candidatos em corrida são talentosos e têm origens diversificadas.

Da esquerda conservadora: Lula da Silva e Guilherme Boulos

Da direita conservadora: Jair Bolsonaro, José Maria Eymael e Cabo Daciolo

Da esquerda progressista: Ciro Gomes, Marina Silva e João Goulart Filho

Da direita progressista: Henrique Meirelles, Geraldo Alkimin, Álvaro Dias e João Amoedo

No próximo artigo, estaremos detalhando e comparando seus históricos e analisando como eles se encaixam no momento econômico e social brasileiro.

Rodrigo Arantes

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *